Como calcular o valor da consulta
Muitos profissionais definem o preço da consulta olhando o que os colegas cobram. O problema é que dois consultórios com o mesmo preço podem ter custos muito diferentes, e um deles pode estar pagando para trabalhar. A conta certa parte dos seus números: quanto custa manter o consultório aberto, quantas consultas você de fato realiza e quanto fica com o governo.
As fórmulas usadas
- Horas atendidas = horas disponíveis por mês × taxa de ocupação.
- Consultas por mês = horas atendidas × 60 ÷ duração da consulta (em minutos).
- Valor-hora real = custos fixos mensais ÷ horas atendidas. É quanto cada hora efetivamente ocupada precisa pagar só de estrutura.
- Custo por consulta = custos fixos ÷ consultas por mês + custo variável por consulta.
- Preço mínimo para empatar = custo por consulta ÷ (1 − impostos). Nesse valor você não tem lucro nem prejuízo.
- Preço sugerido = custo por consulta ÷ (1 − impostos − margem). Impostos e margem são percentuais sobre o preço final, por isso entram no divisor.
Exemplo
Com R$ 6.000 de custos fixos, R$ 20 de custo variável, 120 horas disponíveis, 50% de ocupação, consultas de 60 minutos, 10% de impostos e 20% de margem: são 60 horas atendidas e 60 consultas no mês. O valor-hora real é R$ 100, o custo por consulta é R$ 120, o preço mínimo é R$ 133,33 e o preço sugerido fica em R$ 171,43.
O que colocar em cada campo
Em custos fixos, inclua aluguel ou sublocação de sala, condomínio, energia, internet, sistema de gestão, contador, conselho profissional, marketing e o seu pró-labore. Em custos variáveis, entram gastos que só existem quando há atendimento: materiais, bioimpedância descartável, impressões e taxa da maquininha. A taxa de ocupação deve ser realista: use a média dos últimos meses, não a do seu melhor mês.
O resultado é um piso, não um teto. Posicionamento, especialização, retornos inclusos e experiência do paciente justificam cobrar acima do preço sugerido. Já cobrar abaixo do preço mínimo só faz sentido como estratégia temporária e consciente.